Porque gostamos tanto do Giro D’Itália?

Antes de mais nada,precisamos deixar claro que amamos todos os grandes Tours. Acreditamos que cada um tem uma característica que os tornam únicos e dignos de admiração.


Mas, amanhã, se inicia o primeiro dele o Giro D’Italia e, por isso, queremos falar o porquê que ele nos envolve tanto.


Ele nos envolve pq reflete o espírito Harden The Fuck Up de um ciclista de verdade. 


Esse espírito é necessário pois o Giro D’Itália é imprevisível, não apenas pelo clima que muda a todo instante. Mas por não nos  deixar prever quem vai ganhar. No Giro, nenhum time venceu a corrida mais de duas vezes nos últimos 20 anos.


Em 2016, por exemplo, três pilotos usaram a maglia rosa nas últimas quatro etapas. No Giro de 2017, o líder da corrida mudou duas vezes nos últimos quatro estágios. No ano passado, mudou de posição com dois estágios restantes. E que mudança! Quem poderia esquecer o ataque de Chris Froome a 80km do final na 19ª etapa do Giro de 2018?


Quando foi a última vez que você viu algo parecido em qualquer outra grande volta?





O Giro D'Itália acabou, e qual a lição que nos deixa?


A lição que nos deixa é, sem dúvida, a de que um ciclista sozinho não vence o Giro!


Lembra-se de que, no artigo anterior, dissemos que o Giro D'Itália é especial por ser imprevisível? Se não se lembra, basta clicar aqui e ler o nosso artigo anterior.


Acontece que, assim como na vida fora das pistas, para lidar com a imprevisibilidade é necessário um bom trabalho em equipe. Por isso, vence o Giro a equipe que tenha, não apenas o melhor planejamento estratégico, mas os melhores executores desse planejamento.


Pare para pensar, quem você imaginou levantando a Taça em Aspiral na primeira semana de etapas? Alguns irão dizer que imaginava que seria o Roglic, outros, o Yates, grandes fãs nomearam o Nibali; mas poucos diriam que seria um gregário da Movistar chamado Richard Carapaz que conseguiria tal proeza. 


A Movistar quem fez o melhor trabalho em equipe, teve flexibilidade em lidar com situações que ameaçavam seu título. Primeiro, temos que lembrar que seu ciclista favorito e capitão da equipe, o colombiano Nairo Quintana resolveu não disputar a prova, se resguardando para a Volta da França. Então Carapaz passou a ser o número 2, principal auxiliar do capitão para esta prova, Mikel Landa. Porém, os bons resultados deixaram-no à frente de Landa e a equipe resolveu passar a fazer de Landa o seu ajudante. Tirando uma etapa da Volta a Navarra, Carapaz jamais conseguiu resultados expressivos.


Porém, Carapaz não deixou de admirar seu "gregário-capitão" e esse respeito ficou estampado na imagem em que vestindo a camisa Rosa, chama a responsabilidade de levar Landa para a vitória na 20 etapa. Era uma tentativa de ajudar o colega a conquistar um lugar no pódio ao seu lado… quase que deu certo!


Essa atitude do Líder não foi imprudência, tal decisão foi possível graças à confiança depositada em sua equipe e a certeza de que já tinham neutralizados os demais adversários (Nibali e Roglic). 


Por fim, antes de encerrarmos o artigo, fiquem com as palavras de Carapaz:


“Estou muito feliz por fazer do sonho de ganhar um Grand Tour uma realidade. Nunca devemos esquecer os nossos sonhos de infância. Eles sempre podem se tornar realidade com trabalho duro e determinação. Em meus quatro anos no ciclismo europeu, percebi que as oportunidades têm que ser aproveitadas. Para mim, é apenas o começo, eu acho. Sempre há novos sonhos”, 


É ou não é um exemplo de trabalho em equipe e um exemplo de como enfrentar a imprevisibilidade?



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